Um flamenguista muito foda

Por Luiz Amaral (@luizrva)Luiz é advogado e servidor da Justiça Federal

“Uma das poucas coisas boas de envelhecer é ser Flamengo há mais tempo”. A frase do guru Arthur Muhlemberg, como sempre, me fez pensar. Essa relação do Flamengo com o tempo e a eternidade é complexa, profunda, quase indecifrável. “Quisera ser imortal pra viver a glória eterna do Flamengo”. Não somos. Ao menos nesse plano.

Nos idos de 2015, época das vacas magras, levei ao Maraca um amigo sergipano, torcedor do Gipão da Massa (o carinhoso apelido do Club Sportivo Sergipe), para ver o show de Luiz Antônio e Allan Patrick, em um 2 a 0 do Fuderoso (como dizia Arthur) sobre o Cruzeiro.

Na descida da rampa, em meio a festa da Magnética, como ele também chamava, avistei o Arthur conversando com os amigos. Ao perceber meu estado semi catatônico e o nervosismo pra pedir uma foto, meu amigo perguntou de quem se tratava. Fiquei buscando as palavras para explicar quem era o Arthur e me veio a definição, que na época pareceu simplória, mas hoje, ao ver todas as homenagens, acredito ter sido perfeita: “ele é um flamenguista muito foda”.

Arthurzão de fato é um flamenguista muito foda. Tão foda que tirou a foto com o maior sorriso, ainda na rampa, brincou que meu amigo sergipano era pé-quente e voltou pra resenha com seus companheiros rubro-negros.

A partida do Arthur me causou maior tristeza pois, além de não poder desfrutar mais de novos textos e pensamentos do gênio rubro-negro, assimilei que ele, ao menos fisicamente, não estará mais onde o vi tantas vezes feliz: nas arquibancadas do Maracanã. Um dia serei eu. Um dia seremos nós. De tudo que a caminhada da vida nos traz de bom, pensar que cada dia que passa é um dia a menos de Flamengo nesse plano causa tristeza. Vivamos então nossos dias rubro-negros com a intensidade que eles merecem. Com a megalomania que apenas o rubro-negrismo racional oferece. Como Arthur fez. Afinal, tua glória é lutar. E a nossa glória é eterna. Carpe Mengum!!!